O nascimento de um bebê traz consigo uma série de exames obrigatórios, e entre eles está um dos mais importantes e ainda pouco compreendido pelos pais: a triagem auditiva neonatal, popularmente conhecida como "exame do ouvido" ou "teste da orelhinha". Realizado nas primeiras 48 horas de vida, esse exame identifica possíveis alterações auditivas antes mesmo que qualquer sintoma seja percebido pela família, e essa precocidade é o que faz toda a diferença no desenvolvimento da criança.
Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro, otorrinolaringologista com mais de 20 anos de experiência, CRM-MG 41585 | RQE 15387, e Coordenadora do Programa de Implante Coclear do HC/UFMG, acompanha famílias que receberam resultado alterado na triagem e precisam de avaliação audiológica especializada completa. Se o exame do seu bebê deu "falhou", não entre em pânico, mas também não ignore: esse é o momento em que a agilidade define o futuro auditivo da criança.
A Lei 12.303/2010: o que ela garante ao seu bebê
Desde agosto de 2010, a Lei Federal 12.303 tornou obrigatória a realização da triagem auditiva neonatal em todos os hospitais e maternidades do Brasil. Isso significa que todo recém-nascido tem direito ao exame antes de receber alta hospitalar, sem custo adicional para a família. A lei foi um marco na saúde auditiva infantil brasileira, antes dela, a maioria das perdas auditivas congênitas era identificada apenas aos 2 ou 3 anos de idade, quando os pais percebiam o atraso na fala. Nesse ponto, uma parte significativa da janela crítica de desenvolvimento da linguagem já havia se fechado.
Hoje, com a triagem universal, o objetivo nacional é identificar qualquer alteração auditiva antes dos 3 meses e iniciar o tratamento antes dos 6 meses de vida, metas estabelecidas pelo protocolo JCIH (Joint Committee on Infant Hearing), adotado pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Otologia (SBOto).
Como funciona o exame: EOA e BERA neonatal
A triagem auditiva neonatal não é um único exame, mas um protocolo com duas etapas principais, cada uma avaliando uma parte diferente da via auditiva:
- Emissões Otoacústicas (EOA): exame de primeira linha, rápido (menos de 10 minutos), completamente indolor e não invasivo. Um pequeno dispositivo é colocado no canal auditivo do bebê e emite sons suaves; os sons refletidos pelas células ciliadas externas da cóclea são captados e analisados. Se as células ciliadas funcionam normalmente, o exame registra "passou". É o exame realizado na maternidade na maioria dos casos.
- BERA/ABR (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico): mais completo, avalia toda a via auditiva, da cóclea até o tronco encefálico. É objetivo: não depende da cooperação ou resposta do bebê, apenas de eletrodos posicionados na cabeça enquanto ele dorme. É obrigatório para bebês com Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA) e para aqueles que falharam nas EOA. O PEATE/BERA confirmatório é realizado em serviços especializados, como o disponível na rede de referência da Dra. Mariana em BH.
Os dois exames se complementam: as EOA são rápidas e ideais para triagem em massa; o BERA oferece o diagnóstico definitivo quando a triagem inicial aponta alteração ou quando o bebê pertence a grupo de risco.
Bebês de risco: quem precisa de atenção redobrada
Nem todos os bebês têm o mesmo risco para perda auditiva. Os Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA), definidos pelo Joint Committee on Infant Hearing e adotados no Brasil, incluem:
- Histórico familiar de surdez congênita, hereditária ou de início na infância;
- Infecções congênitas contraídas durante a gestação: citomegalovírus (CMV), rubéola, toxoplasmose, sífilis e herpes, o grupo STORCH;
- Prematuridade (nascimento antes de 37 semanas) ou baixo peso ao nascer (menos de 1.500 g);
- Anóxia neonatal, privação de oxigênio durante o parto, com necessidade de ventilação mecânica ou Apgar baixo;
- Uso de medicamentos ototóxicos durante a internação na UTI neonatal, especialmente aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina) e diuréticos de alça (furosemida);
- Icterícia neonatal grave com necessidade de exsanguineotransfusão;
- Malformações craniofaciais, especialmente as que envolvem orelha externa, canal auditivo ou estruturas da face.
Bebês com qualquer um desses fatores devem realizar o BERA independentemente do resultado das EOA, pois as emissões otoacústicas podem ser normais mesmo na presença de neuropatia auditiva, uma condição em que a cóclea funciona bem, mas a transmissão do sinal nervoso está comprometida.
"Falhou no exame do ouvido": o que fazer agora
Receber o resultado "falhou" na triagem auditiva é um dos momentos de maior ansiedade para os pais, mas é fundamental manter a calma e agir com agilidade. Falhar na triagem neonatal não é sinônimo de surdez. As causas mais comuns de um resultado alterado na maternidade incluem:
- Verniz caseoso (vérnix) ainda presente no canal auditivo;
- Líquido amniótico residual no ouvido médio, muito comum nas primeiras horas de vida;
- Agitação, choro ou sucção durante o exame, que interferem na captação do sinal;
- Ruído ambiente excessivo no local da triagem.
Por isso, o protocolo recomenda: resultado alterado → reteste em até 30 dias. Se o reteste ainda for alterado, a próxima etapa é a avaliação audiológica diagnóstica completa, que inclui BERA diagnóstico com frequências específicas, imitanciometria e avaliação médica especializada. Em BH, esse fluxo pode ser conduzido integralmente pela equipe liderada pela Dra. Mariana Castro Denaro, que articula o diagnóstico e, quando necessário, a indicação de aparelho auditivo ou implante coclear.
O que nunca deve ser feito: ignorar o resultado alterado, adiar a avaliação por meses ou acreditar que "a criança está ouvindo, então está tudo bem". Bebês com perda auditiva leve a moderada frequentemente reagem a sons ambientais intensos, o que não significa que ouvem os sons suaves da fala humana com a clareza necessária para o desenvolvimento da linguagem.
A janela crítica: por que cada mês importa
O desenvolvimento do sistema auditivo e das estruturas cerebrais responsáveis pela linguagem não acontece de forma linear ao longo de toda a infância, ele é concentrado, intenso e dependente de estimulação auditiva adequada nos primeiros anos de vida. Esse período é chamado de janela crítica de plasticidade neural.
Quando uma criança com perda auditiva não recebe sons, seja por ausência de diagnóstico ou por atraso no tratamento, as conexões neurais responsáveis pelo processamento auditivo simplesmente não se formam com a densidade e organização necessárias. Após os 3 anos, essa janela começa a se fechar progressivamente. Isso explica por que duas crianças com o mesmo grau de perda auditiva podem ter desfechos completamente diferentes: a que foi diagnosticada e tratada antes dos 6 meses tende a desenvolver fala e linguagem compatíveis com crianças de audição normal; a que só foi identificada após os 2 anos enfrenta desafios muito maiores, mesmo com o melhor tratamento disponível.
É por isso que a triagem auditiva neonatal existe, e por isso que o resultado alterado exige ação imediata, não espera. Para famílias de Belo Horizonte e região metropolitana, a Dra. Mariana Castro Denaro oferece avaliação especializada completa, com acesso ao programa de implante coclear do HC/UFMG para os casos que necessitam de reabilitação cirúrgica. Saiba mais sobre implante coclear para surdez profunda e sobre como identificar perda auditiva em crianças e adultos.
Acompanhamento auditivo além da maternidade
A triagem neonatal é o primeiro passo, não o único. Crianças com fatores de risco devem manter acompanhamento auditivo periódico mesmo com triagem normal, pois algumas perdas auditivas (especialmente as associadas ao citomegalovírus congênito) são progressivas e podem se manifestar meses ou anos após um exame inicial normal. O protocolo recomenda reavaliações a cada 6 meses até os 3 anos para bebês de risco.
Além disso, qualquer preocupação dos pais com a audição da criança em qualquer fase, falta de reação a sons, atraso na fala, dificuldade de atenção, desempenho escolar abaixo do esperado, deve ser investigada com audiometria pediátrica. Crianças pequenas que não colaboram com audiometria comportamental podem ser avaliadas com BERA diagnóstico, exame objetivo disponível na rede de referência da Dra. Mariana em Santa Efigênia, Belo Horizonte.
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A Dra. Mariana Castro Denaro, CRM-MG 41585 | RQE 15387, Fellow da Fundação FISH (Suíça) e Coordenadora do Programa de Implante Coclear do HC/UFMG, atende na Rua Padre Rolim 515, Santa Efigênia, Belo Horizonte. Com mais de 20 anos de experiência em otologia pediátrica e mais de 15.500 pacientes atendidos, oferece avaliação audiológica completa para bebês e crianças com triagem alterada ou suspeita de perda auditiva.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
O que é a triagem auditiva neonatal e por que é obrigatória?
A triagem auditiva neonatal, também chamada de 'teste da orelhinha', é um exame rápido e indolor realizado nas primeiras 48 horas de vida do bebê para detectar possíveis alterações auditivas. No Brasil, é obrigatória em todas as maternidades e hospitais desde 2010, conforme a Lei Federal 12.303/2010. O objetivo é identificar precocemente qualquer perda auditiva para que o tratamento seja iniciado dentro da janela crítica de desenvolvimento da linguagem, preferencialmente antes dos 6 meses de vida.
Meu bebê falhou no exame do ouvido. Isso significa que ele é surdo?
Não necessariamente. Falhar na triagem auditiva neonatal é mais comum do que se imagina e pode ocorrer por diversas razões não relacionadas à surdez: verniz caseoso (vérnix) no canal auditivo, líquido amniótico residual no ouvido médio, agitação do bebê durante o exame ou choro intenso. Por isso, um resultado 'falhou' exige uma nova avaliação, nunca pode ser ignorado, mas tampouco é um diagnóstico de surdez. A avaliação audiológica especializada em até 30 dias é o passo correto e urgente.
Quais são os dois exames que compõem a triagem auditiva neonatal?
A triagem auditiva neonatal utiliza dois tipos principais de exames: as Emissões Otoacústicas (EOA) e o BERA/ABR (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico). As EOA são o exame de primeira linha, rápidas, indolores e realizadas com o bebê dormindo. Avaliam a integridade das células ciliadas externas da cóclea. O BERA é utilizado em bebês de risco ou quando as EOA estão alteradas; é mais completo pois avalia toda a via auditiva, da orelha até o tronco encefálico, e também não depende da cooperação do bebê.
Quem são os bebês considerados 'de risco' para perda auditiva?
Os Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA) incluem: histórico familiar de surdez congênita ou hereditária, infecções congênitas (citomegalovírus, CMV, rubéola, toxoplasmose, sífilis, herpes), prematuridade (menos de 37 semanas), peso ao nascimento inferior a 1.500 g, anóxia neonatal (falta de oxigênio no parto), uso de medicamentos ototóxicos no período neonatal (especialmente aminoglicosídeos e diuréticos de alça), e malformações craniofaciais. Bebês com qualquer um desses fatores devem realizar o BERA, mesmo que as EOA estejam normais.
Qual é o próximo passo após uma triagem alterada?
O fluxo recomendado pelo Comitê Brasileiro de Perdas Auditivas na Infância é: triagem alterada → reteste em 30 dias → se ainda alterada, avaliação audiológica diagnóstica completa (incluindo BERA diagnóstico com frequências específicas) → se confirmada a perda, indicação de aparelho auditivo ou implante coclear o mais precocemente possível. A Dra. Mariana Castro Denaro, com mais de 20 anos de experiência em otologia e como Coordenadora do Programa de Implante Coclear do HC/UFMG, é a referência para esse acompanhamento em Belo Horizonte.
Por que o diagnóstico precoce da surdez é tão importante?
O sistema auditivo e as áreas cerebrais responsáveis pela linguagem se desenvolvem de forma acelerada nos primeiros anos de vida, especialmente até os 3 anos. Esse período é chamado de 'janela crítica'. Uma criança com perda auditiva não identificada e não tratada nessa fase não desenvolve a linguagem oral normalmente, o que impacta toda a sua vida escolar, social e profissional. Com diagnóstico antes dos 6 meses e intervenção imediata (aparelho auditivo ou implante coclear), a maioria das crianças consegue desenvolver fala e linguagem compatíveis com a idade.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.

