Nenhum pai esquece a noite em que o filho acorda às duas da manhã chorando compulsivamente, com febre e a mãozinha sobre a orelha. A otite é a infecção bacteriana mais frequente na infância e uma das principais razões de consulta pediátrica e de uso de antibióticos no mundo. Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro, otorrinolaringologista especialista em ouvido com CRM-MG 41585 e RQE 15387, oferece avaliação especializada para crianças com otite, desde o primeiro episódio até os casos recorrentes que demandam intervenção cirúrgica.
Com mais de 20 anos de experiência e mais de 15.500 pacientes atendidos, a Dra. Mariana tem expertise tanto no diagnóstico e tratamento clínico das otites quanto nos procedimentos cirúrgicos, como a inserção de tubos de ventilação (DTT) e a adenoidectomia, que interrompem o ciclo das otites recorrentes e protegem o desenvolvimento auditivo e linguístico da criança.
Tipos de otite: nem toda otite é igual
O termo "otite" abrange diferentes condições do ouvido médio. Entender a diferença é importante porque o tratamento varia:
- Otite média aguda (OMA): infecção bacteriana aguda do ouvido médio, com presença de líquido purulento, febre e dor. É a forma mais conhecida, e a que desperta a criança no meio da noite com dor intensa.
- Otite média aguda recorrente: definida como 3 ou mais episódios de OMA em 6 meses, ou 4 ou mais em 12 meses. Essa frequência é o principal critério para indicação de tubos de ventilação.
- Otite com efusão (OE) ou otite serosa: acúmulo de líquido no ouvido médio sem sinais de infecção aguda (sem febre intensa, sem dor intensa). Pode ser completamente silenciosa, a criança não reclama, mas ouve menos. É diagnosticada principalmente pela imitanciometria (curva tipo B). Quando persiste por mais de 3 meses com perda auditiva, exige tratamento.
- Otite média crônica: forma de longa duração, frequentemente com perfuração do tímpano e otorreia intermitente. Pode evoluir para colesteatoma se não tratada adequadamente.
Por que crianças têm tanta otite?
A anatomia da criança pequena a torna muito mais vulnerável à otite do que o adulto. A tuba auditiva, canal que conecta o ouvido médio à parte posterior do nariz, é mais curta, mais horizontal e mais flácida nas crianças, o que facilita a migração de bactérias do nariz para o ouvido médio após resfriados e viroses respiratórias. Com o crescimento, esse canal vai se verticalizando e ganhando rigidez, e a incidência de otites cai significativamente após os 7 anos.
Além da anatomia, os fatores de risco mais importantes para otite recorrente em crianças em BH e em todo o Brasil são:
- Frequência em creche ou escola: contato próximo com outras crianças aumenta a exposição a vírus respiratórios, que frequentemente precedem as otites bacterianas.
- Tabagismo passivo: a fumaça de cigarro prejudica os mecanismos de defesa das mucosas das vias aéreas superiores e da tuba auditiva.
- Amamentação artificial e uso de chupeta: o aleitamento materno confere proteção imunológica significativa; o uso de chupeta cria pressão negativa intermitente na tuba auditiva.
- Adenoide hipertrofiada: além de obstruir a tuba, funciona como reservatório bacteriano, causa modificável mais importante nas otites recorrentes.
- Refluxo gastroesofágico: o refluxo de ácido gástrico pode atingir a nasofaringe e irritar a abertura da tuba auditiva, favorecendo infecções.
- Imunodeficiência ou imunossenescência: crianças com sistema imune em maturação (principalmente antes dos 2 anos) são mais suscetíveis a infecções repetidas.
As bactérias mais comuns nas otites infantis
As três bactérias responsáveis pela grande maioria das otites médias agudas bacterianas em crianças são:
- Streptococcus pneumoniae (pneumococo): historicamente o agente mais frequente e o mais virulento, associado às otites mais intensas, com febre mais alta e maior risco de complicações. A vacina pneumocócica conjugada (PCV13/PCV15) reduziu significativamente sua incidência.
- Haemophilus influenzae não tipável: tornou-se o agente mais comum em muitas regiões após a introdução da vacina pneumocócica. Frequentemente associado a otites com efusão persistente e a cepas produtoras de beta-lactamase (resistentes à amoxicilina simples).
- Moraxella catarrhalis: quase sempre produz beta-lactamase, mas costuma causar formas mais leves de otite. Boa resposta a amoxicilina com clavulanato.
Tubos de ventilação (DTT): quando e como funcionam
O dreno transtimpânico (DTT), popularmente conhecido como "tubo no ouvido", é um pequeno cilindro de plástico ou metal inserido em uma abertura feita no tímpano. Seu objetivo é criar uma comunicação permanente entre o ouvido médio e o ar externo, substituindo a função da tuba auditiva quando esta não ventila adequadamente.
Com o tubo, o líquido inflamatório drena naturalmente, a pressão no ouvido médio se equaliza, e as infecções tornam-se muito menos frequentes. Estudos mostram redução de 70 a 80% nas otites agudas após a inserção dos tubos. A audição também melhora imediatamente quando havia otite com efusão, alguns pais relatam que a criança "acordou falando mais alto" no dia da cirurgia.
O procedimento é realizado sob anestesia geral de curta duração (5 a 10 minutos), com alta no mesmo dia. O tubo expulsa-se espontaneamente em 6 a 18 meses. Se as otites recorreram após a saída do tubo, uma nova inserção pode ser realizada.
Impacto auditivo e no desenvolvimento da linguagem
Um aspecto frequentemente subestimado pelos pais é o impacto das otites crônicas e da otite com efusão no desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança. Nos primeiros 5 anos de vida, o período mais crítico para aquisição da linguagem, a criança precisa ouvir com clareza para aprender palavras, estruturas gramaticais e os sons da língua materna.
Uma perda auditiva leve a moderada de condução, causada pelo líquido persistente no ouvido médio, pode ser suficiente para prejudicar essa aprendizagem, resultando em:
- Atraso no início da fala ou vocabulário reduzido para a idade.
- Dificuldade de articulação fonológica (troca ou omissão de sons).
- Problemas de atenção e comportamento em sala de aula (a criança "não presta atenção" porque realmente não ouve bem).
- Desempenho escolar abaixo do potencial, especialmente em leitura e escrita.
Por isso, toda criança com otites recorrentes deve ser avaliada com audiometria e imitanciometria periodicamente. Veja também a página sobre perda de audição em crianças para entender como o diagnóstico precoce protege o desenvolvimento infantil.
Prevenção das otites: o que os pais podem fazer
- Vacine seu filho: PCV13/PCV15 (pneumocócica) e influenza anual. São as medidas preventivas de maior impacto comprovado.
- Amamente exclusivamente até os 6 meses: o leite materno transfere anticorpos que protegem as mucosas das vias aéreas e do ouvido.
- Elimine o tabagismo no domicílio: não existe "fumar longe da criança" suficiente, a fumaça impregnada em roupas, móveis e paredes também prejudica.
- Evite o uso prolongado de chupeta: especialmente a partir dos 6 meses. Após o 1º ano, o uso deve ser gradualmente reduzido.
- Lave as mãos com frequência: a transmissão de vírus respiratórios ocorre principalmente pelas mãos.
- Trate o refluxo gastroesofágico: se seu filho tem sintomas de refluxo (regurgitação frequente, recusa alimentar), converse com o pediatra, o tratamento pode reduzir as otites.
Quando levar ao otorrinolaringologista, não ao pronto-socorro
A primeira otite aguda pode ser avaliada pelo pediatra. Mas existem situações que indicam a necessidade de avaliação especializada com otorrinolaringologista em Belo Horizonte:
- Três ou mais episódios de otite em seis meses.
- Otite que não melhora após dois ciclos completos de antibiótico.
- Suspeita de perda auditiva, criança que não responde ao nome, não localiza sons, fala em voz alta, pede para repetir.
- Atraso na fala ou linguagem.
- Otorreia (secreção saindo pelo ouvido), especialmente se persistente.
- Dor muito intensa, rigidez de nuca, inchaço atrás da orelha, sinais de alarme que exigem avaliação urgente.
O consultório da Dra. Mariana fica na Rua Padre Rolim, 515, Sala 805, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, com boa localização e acesso fácil para quem vem de transporte público. O agendamento é pelo WhatsApp (31) 98263-5215.
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Se seu filho tem otites frequentes ou você suspeita de perda auditiva, a avaliação precoce com a Dra. Mariana Castro Denaro pode fazer a diferença no desenvolvimento da linguagem e da qualidade de vida da criança. Atendimento em BH, no Santa Efigênia.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Como sei se meu filho tem otite e não apenas um resfriado comum?
Em crianças maiores, a otite costuma se manifestar com dor de ouvido intensa, geralmente após 2 a 3 dias de resfriado. Em bebês e crianças muito pequenas, os sinais são mais sutis: choro excessivo e inconsolável (especialmente à noite ou ao deitar, pois a posição aumenta a pressão no ouvido), irritabilidade intensa, dificuldade para dormir, recusa ao peito ou à mamadeira (a sucção aumenta a dor) e o clássico gesto de puxar ou esfregar a orelha. Febre acima de 38,5°C presente em cerca da metade dos casos. Se seu filho tem secreção saindo pelo ouvido (otorreia), isso indica que o tímpano perfurou para drenar a infecção, procure otorrinolaringologista.
Toda otite precisa de antibiótico?
Não necessariamente. As diretrizes internacionais atuais recomendam uma abordagem chamada 'watchful waiting' (espera vigilante) para otites em crianças maiores de 2 anos com sintomas leves a moderados. Nesses casos, aguarda-se de 48 a 72 horas com analgésico e observação, se a criança piorar ou não melhorar, o antibiótico é iniciado. Para crianças menores de 2 anos, crianças com sintomas graves (febre alta, dor intensa), otite bilateral ou otorreia, o antibiótico, geralmente amoxicilina, é indicado de imediato. Nunca interrompa o antibiótico antes do tempo prescrito, mesmo que a criança melhore.
Quando se indica o tubo de ventilação (DTT)?
Os tubos de ventilação (DTT, dreno transtimpânico) são indicados quando a criança tem três ou mais otites agudas em seis meses, ou quatro ou mais em um ano. Também são indicados para otite com efusão (líquido no ouvido sem infecção) persistente por mais de três meses, especialmente quando causa perda auditiva acima de 25 dB, limiar que pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem. O procedimento é rápido (5 a 10 minutos), feito sob anestesia geral breve, e permite que o ouvido drene normalmente, reduzindo as infecções em 70 a 80%.
A adenoide tem relação com as otites do meu filho?
Sim, é uma das relações mais importantes em otologia pediátrica. A adenoide hipertrofiada (tonsila faríngea aumentada) fica na parte posterior do nariz, próxima à abertura da tuba auditiva, o canal que conecta o nariz ao ouvido médio. Quando a adenoide está grande, ela obstrui essa tuba, impedindo a ventilação adequada do ouvido médio e favorecendo o acúmulo de muco e infecção. Além disso, a adenoide colonizada por bactérias funciona como reservatório permanente de patógenos. A adenoidectomia (retirada da adenoide), frequentemente realizada junto com os tubos de ventilação, reduz significativamente as otites recorrentes.
A otite pode afetar a audição e a fala do meu filho de forma permanente?
Otites agudas isoladas raramente causam sequela auditiva permanente. O risco real está nas otites recorrentes não tratadas adequadamente e, principalmente, na otite com efusão (líquido no ouvido) persistente. O líquido reduz a mobilidade do tímpano e gera perda auditiva condutiva temporária, mas se presente por meses em uma fase crítica do desenvolvimento neurológico (0 a 5 anos), pode prejudicar a aquisição da linguagem, o desenvolvimento da fala e até o desempenho escolar. Crianças com otites frequentes devem ter audiometria e imitanciometria periódicas para monitorar o impacto auditivo.
Quais vacinas protegem contra otite?
Duas vacinas têm impacto comprovado na redução de otites: a vacina antipneumocócica conjugada (PCV13 ou PCV15), que protege contra o Streptococcus pneumoniae, a bactéria mais comum nas otites, e a vacina contra influenza (gripe), que reduz as infecções virais respiratórias que costumam preceder as otites bacterianas. Estudos mostram que crianças vacinadas com PCV13 têm redução de 20 a 30% nas otites recorrentes. Ambas as vacinas fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação. O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses também confere proteção significativa.
Fontes e referências
- Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SBOCF) – Diretrizes de Otite Média
- Ministério da Saúde – Calendário Nacional de Vacinação 2024
- American Academy of Pediatrics (AAP) – Clinical Practice Guideline: Otitis Media
- OMS – Ear Care and Hearing Loss Prevention
- NIH/NIDCD – Ear Infections in Children
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