A mastoidectomia é uma das cirurgias mais complexas e técnicas da especialidade otorrinolaringológica. Realizada no interior do osso temporal, uma das estruturas mais densas do corpo humano, que abriga o ouvido interno, o nervo facial, o nervo coclear e importantes vasos sanguíneos, ela exige treinamento específico e longo em microcirurgia de ouvido. Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro é referência nessa cirurgia, com formação em cirurgia de ouvido pela Fundação FISH na Suíça e pela UFMG.

A principal indicação de mastoidectomia é o colesteatoma, um problema que, quando diagnosticado precocemente, pode ser tratado de forma mais simples e com menor risco de complicações. Por isso, qualquer otite de repetição, descarga persistente pelo ouvido ou perda auditiva progressiva em adultos e crianças deve ser investigada sem demora.

Anatomia da mastoide: entendendo o campo cirúrgico

A apófise mastoide é a proeminência óssea que se sente logo atrás da orelha. Internamente, ela é composta por um sistema de células de ar (pneumatização mastoide) comunicadas entre si e com a orelha média. Essa anatomia pneumatizada é normal e, em condições saudáveis, essas células contêm apenas ar. Quando infeccionadas ou invadidas por colesteatoma, precisam ser removidas cirurgicamente.

A mastoide está em íntima relação com estruturas críticas:

  • Nervo facial (VII par craniano): percorre o osso temporal em um canal ósseo, passando por dentro da mastoide e da orelha média antes de sair pelo forame estilomastóideo. A preservação desse nervo é prioridade absoluta em toda cirurgia mastoídea.
  • Seio lateral (seio sigmoide): grande vaso venoso do sistema dural, presente na parede posterior da mastoide. Sua lesão causa sangramento grave.
  • Orelha interna (labirinto): o labirinto ósseo (cóclea e canais semicirculares) está imediatamente anterior e medial à mastoide. Sua invasão causa surdez profunda e vertigem intensa.
  • Dura-máter: o teto da mastoide é a lâmina tegmental, que separa a mastoide do lobo temporal do cérebro. Erosão por colesteatoma pode expor a dura e causar complicações intracranianas.

Indicações de mastoidectomia: quando a cirurgia é necessária

  • Colesteatoma (indicação mais comum): tumor epitelial benigno formado por epitélio queratinizado que cresce progressivamente dentro do ouvido médio e da mastoide, destruindo osso por meio de enzimas proteolíticas e osteoclastos. Não existe tratamento medicamentoso, a cirurgia é sempre necessária. O diagnóstico é feito por otoscopia (bolsa de retração com debris esbranquiçados ou pérola de queratina) e confirmado por tomografia computadorizada do osso temporal.
  • Mastoidite aguda complicada: infecção bacteriana aguda da mastoide que não responde a antibióticos intravenosos. Complicações como abscesso subperiosteal (coleção de pus entre a mastoide e o couro cabeludo) exigem drenagem cirúrgica urgente. A mastoidite com extensão intracraniana (meningite, trombose do seio lateral, abscesso extradural) é emergência neurocirúrgica.
  • Otite média crônica com extensão mastoídea: infecção crônica do ouvido médio que se estende às células mastóideas, causando osteíte (destruição óssea crônica) sem colesteatoma. Quando não responde ao tratamento clínico, a mastoidectomia com timpanoplastia (reconstrução da membrana e dos ossículos) é indicada.
  • Via de acesso cirúrgica: a mastoide é o corredor para acesso ao nervo facial, ao labirinto, ao ápice petroso e ao ângulo pontocerebelar. Cirurgias de implante coclear, descompressão do nervo facial, ressecção de schwannoma vestibular (neurinoma do acústico) e cirurgias da base do crânio usam a mastoidectomia como via de entrada.

Tipos de mastoidectomia: escolhendo a técnica certa

A escolha da técnica cirúrgica depende da extensão da doença, da anatomia individual do paciente, da presença ou ausência de complicações e da experiência do cirurgião. As principais modalidades são:

  • Mastoidectomia simples (cortical ou de Schwartze): remove as células mastoídeas doentes preservando a parede posterior do canal auditivo. Indicada para mastoidite aguda e como via de acesso cirúrgico. Não é suficiente para colesteatoma com extensão ampla.
  • Técnica de parede canal intacto (wall-up / CWU): remove o colesteatoma preservando a parede posterior do canal auditivo. Vantagens: melhor resultado estético e funcional, preserva a anatomia da orelha, resultado auditivo potencialmente superior. Desvantagem: maior taxa de colesteatoma residual ou recidivante, geralmente exigindo second-look cirúrgico em 12 a 18 meses para verificar recidiva.
  • Mastoidectomia radical modificada (parede aberta / open-cavity): remove a parede posterior do canal auditivo, criando uma cavidade única entre a mastoide, a orelha média e o meato acústico externo. Vantagens: melhor acesso e visualização do colesteatoma, menor taxa de recidiva, vigilância de recidiva mais fácil. Desvantagens: cavidade que requer limpeza periódica (no mínimo anual), possível sensibilidade ao ruído ou ao vento, resultado estético diferente.
  • Mastoidectomia radical (técnica de Bondy / clássica): remove toda a orelha média e a parede posterior do canal, excluindo o tímpano. Raramente indicada hoje, reservada para casos de doença muito extensa sem perspectiva de reconstrução auditiva.
Parede fechada (canal intacto) x parede aberta (open-cavity)
CritérioParede fechada (CWU)Parede aberta (open-cavity)
Parede posterior do canalPreservadaRemovida (cavidade única)
Resultado estético e funcionalGeralmente superiorCavidade aberta, anatomia alterada
Vigilância de recidivaMais difícil; costuma exigir second-look em 12 a 18 mesesMais fácil, por visualização direta
Cuidados a longo prazoRotina habitualLimpeza periódica da cavidade (no mínimo anual)
Indicação preferencialColesteatoma limitado, boa anatomiaDoença extensa ou recidiva de difícil controle

A decisão entre as técnicas é individualizada e definida em conjunto com a paciente, considerando a extensão da doença e as prioridades de cada caso.

Monitorização do nervo facial: segurança cirúrgica

A paralisia facial é a complicação mais temida da mastoidectomia, não por ser frequente, mas pelo impacto devastador que tem na qualidade de vida do paciente. Em mãos experientes e com monitorização adequada, é uma complicação rara.

A Dra. Mariana Castro Denaro utiliza monitorização neurofisiológica intraoperatória do nervo facial em todas as mastoidectomias. O sistema funciona com eletrodos superficiais posicionados nos músculos da face do lado operado. Durante a cirurgia, qualquer toque ou proximidade excessiva ao nervo facial gera um sinal sonoro imediato no monitor, permitindo ao cirurgião reorientar a dissecção e proteger o nervo.

Além da monitorização eletrônica, o conhecimento profundo da anatomia cirúrgica do nervo facial no osso temporal, adquirido durante a formação na Fundação FISH (Suíça) e no HC/UFMG, é o principal fator de segurança. Referenciais anatômicos consistentes (yunx, recessus facial, nervo corda do tímpano) permitem localizar o nervo mesmo em campos cirúrgicos com anatomia distorcida por doença.

Pós-operatório e cuidados após mastoidectomia em BH

O pós-operatório de mastoidectomia é geralmente bem tolerado, com dor leve a moderada controlada por analgésicos comuns. As principais orientações incluem:

  • Proteção contra água: o ouvido operado não deve entrar em contato com água até a liberação médica (geralmente 3 a 6 semanas). No banho, utilizar algodão com vaselina ou protetores auriculares específicos.
  • Restrição de esforço físico: evitar atividades que aumentem a pressão intracraniana nas primeiras 2 a 3 semanas (esforço físico intenso, instrumentos de sopro, voo de avião).
  • Medicamentos: antibiótico oral por 7 a 10 dias conforme prescrição, analgésico e anti-inflamatório conforme necessidade.
  • Retornos: consulta de revisão em 7 e 21 dias para curativo e avaliação clínica. Audiometria após 6 a 8 semanas. Nos casos de técnica de parede aberta, limpeza periódica da cavidade com a Dra. Mariana, geralmente a cada 6 a 12 meses.
  • Tontura pós-operatória: é comum nos primeiros dias, especialmente se o labirinto foi manipulado ou se a cirurgia envolveu o canal semicircular. Geralmente melhora em dias a semanas.

A formação da Dra. Mariana em cirurgia de mastoide

A mastoidectomia é uma das cirurgias com curva de aprendizado mais longa em toda a medicina, exige treinamento intensivo em laboratório de dissecção de osso temporal antes de ser realizada em pacientes. A Dra. Mariana Castro Denaro completou fellowship específico em cirurgia de ouvido na Fundação FISH (Suíça), um dos centros de excelência em otocirurgia da Europa, além de sua formação e atuação no HC/UFMG em Belo Horizonte, um dos maiores programas de otologia do Brasil.

Com mais de 20 anos de prática em otologia cirúrgica e mais de 15.500 pacientes atendidos, a Dra. Mariana realiza mastoidectomias tanto pelo SUS (HC/UFMG) quanto em sua clínica privada no Santa Efigênia, garantindo acesso a cuidado cirúrgico de alto padrão em Belo Horizonte.

Agende sua consulta em Belo Horizonte

Se você tem diagnóstico de colesteatoma, otite crônica com secreção persistente, mastoidite ou perda auditiva progressiva, não adie a avaliação cirúrgica. O colesteatoma tratado precocemente tem prognóstico muito melhor. Agende com a Dra. Mariana Castro Denaro no consultório da Rua Padre Rolim, 515, 8º andar, Santa Efigênia, Belo Horizonte.

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Perguntas frequentes

O que é mastoidectomia e por que ela é indicada?

Mastoidectomia é a remoção cirúrgica das células de ar da apófise mastoide, a proeminência óssea atrás do pavilhão auricular, parte do osso temporal. Ela é indicada principalmente para o tratamento do colesteatoma (tumor epitelial benigno localmente destrutivo), da mastoidite aguda complicada (quando o tratamento clínico não é suficiente), da otite média crônica com extensão para a mastoide, e como via de acesso cirúrgico para a orelha interna e a base do crânio (cirurgias de implante coclear, schwannoma vestibular, cirurgia da base de crânio).

Qual a diferença entre mastoidectomia de parede aberta e de parede fechada?

As duas técnicas principais diferem no que acontece com a parede posterior do canal auditivo externo. Na técnica de parede canal intacto (wall-up ou parede fechada), a parede posterior é preservada, o resultado estético e funcional é melhor, mas a vigilância de recidiva do colesteatoma é mais difícil, geralmente exigindo uma segunda cirurgia (second-look) em 12 a 18 meses. Na técnica de parede aberta (open-cavity ou radical modificada), a parede posterior é removida, criando uma cavidade única, facilita a vigilância de recidiva, mas exige cuidados contínuos com a cavidade (limpeza periódica com o otorrinolaringologista) e pode ter impacto maior na qualidade de vida.

A mastoidectomia é feita com anestesia geral?

Sim. A mastoidectomia é realizada sob anestesia geral, em ambiente hospitalar. A duração varia conforme a extensão da doença: cirurgias mais simples (mastoidite aguda sem complicações) podem durar 1 a 2 horas; casos de colesteatoma extenso, com erosão de ossículos, envolvimento do nervo facial ou extensão para a orelha interna, podem durar 3 a 5 horas. A internação costuma ser de 1 a 2 dias.

Qual é o risco para o nervo facial na mastoidectomia?

O nervo facial percorre o osso temporal em estreita relação com a mastoide e o ouvido médio, é esse nervo que controla todos os movimentos da face. A mastoidectomia é realizada a poucos milímetros do nervo facial, tornando sua proteção uma das prioridades absolutas da cirurgia. A Dra. Mariana utiliza monitorização neurofisiológica intraoperatória do nervo facial em todas as mastoidectomias, um eletrodo detecta qualquer estimulação do nervo e alerta o cirurgião imediatamente. Em mãos experientes, a paralisia facial permanente após mastoidectomia é uma complicação muito rara.

Como é a recuperação após mastoidectomia?

A maioria dos pacientes recebe alta hospitalar em 1 a 2 dias após a cirurgia. O ouvido operado fica com curativo e tampão por 1 a 3 semanas. As principais restrições no pós-operatório são: não molhar o ouvido (banho com proteção), evitar esforços físicos intensos nas primeiras semanas, não viajar de avião nas primeiras 2 a 3 semanas. A dor geralmente é leve a moderada, controlada com analgésicos. A audiometria pós-operatória é realizada após 6 a 8 semanas. Em casos de reconstrução dos ossículos (ossiculoplastia associada), a avaliação auditiva final é feita após 3 meses.

Colesteatoma sempre precisa de cirurgia?

Sim. O colesteatoma não tem tratamento clínico eficaz, apenas cirúrgico. Isso porque ele é um tumor epitelial benigno localmente agressivo que cresce progressivamente e destrói as estruturas ao redor: ossículos (causando perda auditiva), labirinto (surdez profunda e tontura), nervo facial (paralisia facial) e pode até se extender para o crânio, causando complicações neurológicas graves como meningite e abscesso cerebral. O diagnóstico precoce e a cirurgia eletiva em bom momento são fundamentais para evitar complicações sérias.

Fontes e referências

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.